17.7.12

Remédio animal

A convivência com um amigo de quatro patas acalma, facilita a interação, dá confiança e, o melhor, ajuda a superar com sucesso vários problemas de saúde


Foi em abril de 2005 que a paulistana Tatiana Sales descobriu um câncer no colo do útero. Depois de ser opera - da - e de várias sessões de radioterapia -, teve alta em janeiro de 2006, para em março desse mesmo ano receber a notícia de que as células tumorais haviam se espalhado para o intestino, a bexiga e a bacia pélvica. Apesar do prognóstico nada bom e de ser considerada paciente terminal, ela iniciou a quimioterapia, mas foi liberada para voltar para casa, pois nada mais poderia ser feito num ambiente hospitalar.
"Perdi mais de 20 kg e usava máscara hospitalar o tempo todo, pois o meu sistema imunológico beirava o caos, mas não fiquei sem meus gatos nem um minuto. Passamos várias noites deitados no sofá, eu brincava com eles e eram momentos em que eu me esquecia de que estava tão doente, e a dor constante era amenizada", revela Tatiana.


QUEM JÁ PASSOU POR EXPERIÊNCIAS DOLOROSAS DE DOENÇAS OU PERDAS FAMILIARES SABE QUE AOS ANIMAIS, AO CONTRÁRIO DOS SERES HUMANOS, NÃO HÁ NECESSIDADE DE EXPLICAR NADA, SOMENTE DE INTERAGIR


Depois de uma cirurgia longa, em que era tudo ou nada, a saúde voltou aos poucos e hoje ela está curada. "Posso dizer, sem dúvida alguma, que hoje sou uma pessoa muito mais equilibrada e preocupada em ser feliz do que era antes.

Naqueles momentos difíceis, meus gatos ficaram comigo e nem se importaram com o meu mau humor, se eu estava descabelada ou com aparência péssima por conta de quimioterapia. Eles não tiveram por mim aquela piedade que tanto corrói e maltrata um doente, pelo contrário, me presentearam com um amor incondicional", diz Tatiana.

Casos assim são tão comuns na medicina que os animais passaram a ser os visitantes mais esperados em hospitais e asilos. E os dados científicos estão aí para provar que, "no contato com o cão, após 15 a 20 minutos, a pessoa libera vários neurotransmissores e hormônios de bem-estar, como dopamina, endorfina, feniletilamina, prolactina, oxitocina, e inibe o cortisol, hormônio associado ao estresse", explica a psicóloga Silvana Prado, da ONG Organização Brasileira de Interação Homem- Animal Cão Coração (OBIHACC), que promove visitas a asilos de idosos.

"Além disso, o cachorro é um ser vivo no qual projetamos nossos sentimentos, ele nos dá uma experiência multissensorial, assume o papel de facilitador da afetividade, interação, confiança e, acima de tudo, o seu amor incondicional ao homem", conclui.

Amor incondicional


Quem já passou por experiências dolorosas de doenças ou perdas familiares sabe que aos animais, ao contrário dos seres humanos, não há necessidade de explicar nada, somente de interagir.

Às vezes, o melhor remédio é fazer carinho na orelha de um cão ou segurar um gato no colo para ter o conforto perdido. A sensação da professora Leila Piffer é exatamente essa. Com a morte da mãe há oito meses, ela teve depressão e desenvolveu uma crise de ansiedade. "Estou em tratamento desde fevereiro deste ano, afastada do serviço, ingerindo remédios controlados, melhorando e procurando reestruturar minha vida nessa nova fase. Conto com a ajuda de familiares e amigos, mas as minhas gatas, a Pititica e a Branquinha, têm um papel fundamental no meu tratamento e nesse período de recuperação", conta ela.

ELES FAZEM BEM À SAÚDE


Apenas 15 minutos de convivência com um animal melhoram muitos problemas de saúde, segundo a organização internacional Delta Society. Dentre as pesquisas já realizadas sobre o assunto, a instituição ressalta as seguintes:
  • A presença de cachorros em hospitais diminui a pressão sanguínea, controla a ansiedade de cardíacos e ajuda a melhorar as funções do coração e do pulmão em pacientes internados.
    Pacientes com doença de Alzheimer têm menos problemas de comportamento e se alimentam melhor em ambientes com aquário.
  • Um cão na sala de espera de consultórios reduz o estresse das crianças
  • A fisioterapia é mais eficaz quando o profissional tem como assistente um cachorro.

  • Idosos que possuem um animal de estimação em casa visitam o médico com menos freqüência.

  • Taxas de colesterol, triglicérides e pressão arterial são baixas em pessoas que têm bicho em casa.

  • Crianças conseguem passar por uma situação difícil na família, como doenças ou perdas, e ter mais auto-estima se têm a companhia de animais.

  • Em adultos saudáveis, os bichos propiciam a diminuição do estresse diário e da solidão.

  • Menos depressão e estresse foram constatados em portadores do vírus HIV que vivem com animais, além de aumentar a vontade de superar a doença.

6.7.12

Ora pro Nobis - você conhece?

Nunca tinha ouvido falar da hortaliça Ora pro Nobis, até ganhar um maço dessa plantinha tão cheia de propriedades da minha sogra.Recentemente fui a uma palestra do Alex Atala que citou a tal planta.Por isso achei interessante divulgar um pouco mais sobre ela para que se torne conhecida e apreciada.Já tive a oportunidade de experimentar com frango cozido e o resultado é incrível e muito saboroso!



Onde se planta, nasce. Quando cresce, serve de proteção e alimento. Repleta de flores, ainda deixa o ambiente mais bonito. Por meio da hortaliça ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), a natureza oferece múltiplos benefícios ao ser humano, o que seria motivo suficiente para a escolha de seu nome popular. Mas, conta-se que assim foi batizada pelo costume de ser colhida no quintal de uma igreja, para ser preparada para o almoço, quando o padre iniciava a reza final da missa da manhã.

"Rogai por nós" em português, ora-pro-nóbis é uma frase em latim nem sempre facilmente assimilada. Por isso, pode ser comum encontrar derivações dela, sendo por vezes chamada lobrobó ou orabrobó por agricultores de Minas Gerais, onde a planta é muito difundida na culinária local.

Originária do continente americano, encontram-se variedades nativas dessa hortaliça perene, rústica e resistente à seca da Flórida, nos Estados Unidos, à região sudeste do Brasil. De fácil manejo e adaptação a diferentes climas e tipos de solo, produtiva e nutritiva, a ora-pro-nóbis é uma boa alternativa para produtores iniciantes no cultivo de hortaliças.

Ela pertence à família das cactáceas. Na idade adulta, sua estrutura em forma de arbusto torna-se uma excelente cerca viva, tanto para ser usada como quebra-vento quanto como barreira contra predadores. A existência de espinhos pontiagudos nos ramos inibe o avanço de invasores.

Perfumadas, pequenas, brancas com miolo alaranjado e ricas em pólen e néctar, as flores brotam na ora-pro-nóbis de janeiro a abril. De junho a julho, ocorre a produção de frutos em bagas amarelas e redondas. A generosa e bela floração é um ornamento ao ambiente, ideal para decoração natural de propriedades rurais, como chácaras, sítios e fazendas.

 A ora-pro-nóbis também pode ser plantada em quintais e jardins de residências. As folhas são a parte comestível da planta. Secas e moídas, elas são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas e refogados. Muita gente prefere consumir as folhas cruas em saladas, acompanhando o prato principal. Outros as usam como mistura para enriquecer farinha, massas e pães em geral. Galinha caipira com ora-pro-nobis é prato tradicional da culinária mineira. É servido cotidianamente nas cidades históricas do estado, como Diamantina, Tiradentes, São João Del Rey e Sabará, onde anualmente há um festival da hortaliça.

In natura ou misturada na ração, animais também aproveitam os benefícios das folhas da ora-pro-nóbis. Elas estão entre as que possuem maior teor de proteína, com algumas variedades chegando a mais de 25% da matéria seca. Na medicina popular, elas são indicadas para aliviar processos inflamatórios e na recuperação da pele em casos de queimadura.

Fonte: Globo Rural